| Tucura também reclamou dos três meses de prazo que a comissão tem para trabalhar. Ele lembrou que a Polícia Federal investigou o caso durante mais de um ano e adiantou que o tempo concedido aos deputados é curto |
O deputado Valdivino
Tucura (PRP) solicitou ao presidente da CPP, deputado Eurípedes Lebrão
(PTN) a contratação um advogado para trabalhar exclusivamente na
comissão, para tirar as dúvidas dos parlamentares que a integram. O
deputado Adelino Follador (DEM) disse concordar com o pedido,
acrescentando que a CPP não deve cometer falhas no julgamento político
dos indicados na Operação Termópilas.
Tucura também reclamou
dos três meses de prazo que a comissão tem para trabalhar. Ele lembrou
que a Polícia Federal investigou o caso durante mais de um ano e
adiantou que o tempo concedido aos deputados é curto para julgar se
houve quebra de decoro parlamentar. O relator da CPP, deputado Edson
Martins, pediu que as cópias das defesas já apresentadas sejam
encaminhadas a todos os integrantes da comissão, para que forneçam
sugestões para o relatório.
O deputado Lebrão
lembrou que a cada deputado investigado pela CPP foi dado o direito de
apresentar cinco testemunhas. O deputado Lorival Amorim (PMN) adiantou
que o rito processual deve ser obedecido, com a concessão da defesa dos
parlamentares, porque isso garante a seriedade do trabalho da comissão.
Outro ponto decidido
por unanimidade na reunião da CPP foi o encaminhamento à Mesa Diretoria
de uma advertência ao deputado Ribamar Araújo (PT), que no último dia 20
afirmou em discurso no plenário, dentre outras coisas, que “enquanto
estiver deputado aqui recebendo mensalão e votando contra o povo,
fazendo discurso bonito e por trás roubando os direitos do povo, nós não
vamos resgatar a credibilidade desta casa”.
Em outro trecho do discurso, Ribamar Araújo disse o seguinte: “Vou
explicar agora, presidente, porque não vejo essa comissão nem com
moral, nem com vontade com as exceções que tem de levar esse processo
para frente, vejo alguém aqui sim, interessado em fazer de boi de
piranha para salvar a pele dos outros...”.
Adelino Follador disse
que Ribamar Araújo exagerou, apesar de ter razão em determinados pontos
do discurso proferido no último dia 20. Segundo ele, o petista acusou
sem provas. “Na empolgação ele se dirigiu a todos nós. Ribamar Araújo é
um grande deputado, mas não pode ofender os companheiros assim. Ele deve
dar nome aos bois”, destacou.
Edson Martins disse
respeitar o deputado Ribamar Araújo, mas acrescentou que ele foi infeliz
até na ocasião em que o governador disse que 90% dos políticos são
corruptos. “Ele disse que é muito mais do que isso. Acredito que Ribamar
já deve estar refletindo sobre o que ele disse. Ele não pode colocar em
xeque todos os membros da casa”, adiantou.
Lorival Amorim afirmou
ter um respeito muito grande pelo deputado Ribamar Araújo, mas também
votou pela advertência. “Em um momento de pressão, tentando justificar
sua saída da comissão, pressionados por alguns segmentos da imprensa,
ele disse diversas coisas. Com a advertência, da próxima vez ele tomará
os devidos cuidados”, acrescentou.
Valdivino Tucura também
alegou conhecer o trabalho e o esforço do deputado Ribamar Araújo para
defender o povo. “Mas ele exagerou e já deve estar arrependido. Quando
se acusa é preciso citar nomes. Um deputado não pode ser desequilibrado.
Ele discursou para a galera, acusando deputado, senador e governador
sem provas. No dizer dele a imprensa o estava ‘sacaneando’, mas isso não
justifica seu pronunciamento”, detalhou.
Por ser o presidente da
comissão, regimentalmente o deputado Lebrão não vota. Ele explicou que
agora a advertência será encaminhada à Mesa Diretora para que seja lido
em plenário.



